Algo rápido sobre ter amigos

As engrenagens que eles formam sobem as cordas da minha âncora, e me permitem navegar sem medo. Não só em direções certas, tampouco com cartografias precisas… não em mares já conhecidos nem em terras colonizadas. É, eles me tiram do fixo e me movem pra qualquer lugar que eu precise ainda descobrir. Alguns conheço há menos tempo, outros há décadas. Alguns são humanos, outros ronronam pra mim. Mas absolutamente todos estão lá por mim.
E eu não vou esquecer disso. Nunca. 

E com vocês: as minhas mágoas

Esse pode parecer só mais um daqueles meus incontáveis textos nada-com-nada. Sim, aqueles que vocês bem conhecem: indiretos, abstratos e metafóricos. Porém, esse não é um texto indireto… ele é sobre mim, e sobre como estou me sentindo.

Sinto muito não poder expor aqui as coisas que aconteceram na minha vida. Sinto muito decepcionar vocês, que me acompanham e se preocupam de verdade comigo. Algumas coisas não podem ser ditas, sabem? Mas todo sentimento pode ser descrito, mesmo que não tão fielmente.

Cheguei em casa e me deitei na cama. Minha garganta está cada vez mais fechada e inchada, minha clavícula e base do pescoço cada vez mais doloridos, e isso me preocupa e incomoda. Porém, ainda não consegui verificar o que está acontecendo. Estou preocupada com o que está acontecendo com o meu organismo, mas naquela hora ignorei qualquer desconforto e só estava me perguntando uma coisa: por que?

Tentei reunir tudo o que aconteceu desde Janeiro de 2014 em uma pilha de informações. As separei e delimitei tão precisamente que eu quase as podia sentir fisicamente nas minhas mãos. Dividi minhas pilhas de informação na tentativa de encontrar alguma lógica que eu pudesse abraçar, algum jeito para que tudo aquilo fizesse sentido pra mim.

Então tínhamos a pilha dos fatos incontestáveis, a pilha dos meus sentimentos, a pilha de todas as verdades e a pilha de todas as mentiras já ditas. A pilha dos meus sentimentos insistia em tombar e se espalhar nas outras três. Mas não, eu não ia – eu não podia – mais deixar que meus sentimentos influenciassem minha razão e julgamento. A organizei e deixei de lado, dela eu cuidaria depois.

Então começamos com a pilha das verdades já ditas. Não havia uma só informação naquela pilha… logo, não era uma pilha: era um vazio. Nem uma só palavra de verdade estava lá. Isso não significava que jamais havia existido verdade, significava apenas que – caso tenha existido qualquer verdade – eu não a conhecia e não era um fato incontestável. Uma mágoa me acertou em cheio quando comecei a avaliar que palavras ditas por tantos anos não estavam naquela pilha… estavam, sim, na pilha das mentiras.

E lá estavam as mentiras. Tantas, tantas, tão cruéis, fortes, amargas. Me perguntei como isso era possível. Palavras como “amor”, “fidelidade”, “confiança”, “apoio”, essas palavras significam seu alicerce quando na pilha certa… mas elas nunca estiveram na pilha certa. E, na pilha errada, essas palavras eram como socos no estômago.

Para ter certeza que eu havia posicionado as informações na pilha correta, fui aos “Fatos Incontestáveis”. E lá estava a confirmação que eu procurava. Traição, difamação, ofensas, tortura psicológica, manipulação, chantagem. Tinha um número muito maior do que eu pensava, não é? Todas essa lista provada com fatos.

Então eu apenas não estava triste. Estava irritada, magoada e com o orgulho ferido. Depois de mais de um ano, a verdade veio à tona. Honestamente, não havia mais espaço para tristeza. Toda a dor que passei sem ter as informações que chegaram a mim foi o suficiente para me tornar alguém diferente. Isso? Não, isso não me machucaria. Porém, a raiva me brilhava.

“Cretino, mentiroso, traidorzinho covarde…”

A pontada nas costas me doeu os gânglios linfáticos inchados do meu pescoço reclamaram.

Comecei a me perguntar se de repente eu estaria morrendo de alguma doença esdrúxula. Será? Afastei o pensamento da cabeça, empurrei minha crise hipocondríaca pra fora. “Logo eu descubro, jajá… deve ser deboas.”

Então minha cabeça saiu do “Por quê?” e chegou no “Quando e como?”. Será que eu poderia confiar em alguém algum dia? E ser feliz e tal, essas coisas. Será que vai ficar tudo bem? Quando vai? Como vai? Fiquei irritada de não conseguir responder minhas próprias perguntas. Minha ansiedade me atacou com toda força, e eu realmente não vi como confiar. Não, eu nunca mais fui a mesma.

As lágrimas não caem por mais ninguém, mas os sorrisos e os batimentos acelerados de quem ama também nunca mais apareceram.

Oh well.

Tomei meu remédio e esperei passar. A gente pode torcer pelo melhor sem esperar pelo melhor, não pode?

A gente pode.

E vai.

Sonho 01 – Dona Yara

Estávamos andando por um interminável deserto escaldante. Uma camada fina de suor estampava nossas testas, e a noção de tempo e espaço já havia se perdido há tempos. Que horas seriam? Eu acreditava que por volta das 17h, mas que diferença faria saber? Quando até mesmo o desespero já havia ido embora junto com as últimas forças, restava a sede e o aceitamento: iríamos morrer ali, e isso era só uma questão de tempo.

Eduardo andava ao meu lado, arfando. A cabeça baixa dava a impressão de que ele buscava a solução de nossa sobrevivência em seus próprios pés. Lá no fundo, eu esperava que alguém aparecesse com qualquer tipo de sugestão. Como mesmo viemos parar aqui? Eu e minha família, eu digo. Onde diabos estávamos com a cabeça e como chegamos a este lugar? Não parece o tipo de sugestão perfeita para passarmos as férias, se é que vocês me entendem. Se eu tivesse qualquer força, certamente a usaria para estrangular o gênio que nos trouxe até aqui – isto é, se não fosse eu mesma a ter dado a sugestão. Se estávamos nesse lugar, não me daria o direito de duvidar do que quer que fosse.

Eduardo se aproximou de mim, o suor na testa, costas arqueadas como se ele estivesse a ponto de cair. Chegou perto e cochichou em minha orelha:

– Eu não queria ter que apelar para isso, mas infelizmente não temos mais escolha, Adamarys. Preste bastante atenção, o que eu vou dizer pra você eu não poderei dizer a mais ninguém. São as regras, e se você disser, você perde. Aconteça o que acontecer, não sente. Você ouviu? Não sente.

Franzi a testa. Ele estava alucinando, que ótimo. Onde caralhos eu sentaria? Abri a boca para responder, mas ele falou antes.

– Dona Yara, estamos com sede, Dona Yara, nos chame para um chá. A gente te acompanha e você mata nossa sede, Dona Yara, estamos perdidos, venha nos encontrar.

E, como num passe de mágica, não estávamos mais no deserto. Olhei ao meu redor, e aparentemente só eu estava completamente desnorteada. Meus pais e irmãos não perceberam nada, e embora ainda estampassem o extremo cansaço, era como se eles estivessem naquele lugar o tempo todo. Estávamos agora em uma rua asfaltada, um lugar que caberia perfeitamente nas periferias das principais cidades brasileiras. Os portões das casas eram o mesmo tipo de alumínio comum e sujo, possivelmente abertos com um clique de botão de controle – que dificilmente funcionaria de primeira. Olhei para o Eduardo me perguntando de que Creepy Pasta ele conseguira aquilo. Novamente, antes que eu abrisse a boca, ele respondeu.

– Não faça perguntas, apenas me siga.

Bem, quem sou eu pra contrariar? As coisas já estavam loucas o suficiente.

Nos arrastamos por alguns metros. Crianças brincavam de bola na rua, o fim de tarde já era aparente. Eduardo parou em frente a uma casa simples, como outra qualquer. Não possuia garagem, a porta de alumínio vazada mostrava um lance de escadas sem acabamento. No momento em que ele tocou a porta, todas as crianças pararam de brincar e nos olharam sombriamente, sem nos dirigir a palavra. Rígidos como estátuas. Eduardo abriu a porta e, sem dizer uma palavra, subiu pela escada de cimento cru. Sem nem hesitar, fomos atrás, mudos.

Subimos o lance de escadas e nos deparamos com um batente de porta vazio. Tudo que nos separava da sala adiante era uma cortina contas e miçangas grossas. Eduardo passou pela porta, e nós o seguimos. Agora, nos víamos em uma sala simples e aconchegante, um ar fresco que dava ao lugar uma cara de casa de avó. Porém, só haviam 2 elementos em toda sala: uma cadeira estofada que parecia ser irresistivelmente confortável e uma senhora. Mais a frente, uma outra porta sem batente levava a uma nova sala, aparentemente muito grande. Cheguei a me perguntar como a casa parecia tão menor por fora. De dentro da sala seguinte escutava-se uma música relaxante, porém quase nada podia ser visto, a não ser o pedaço de um piano.

A senhora negra de cabelos brancos nos sorriu com uma ternura. Algo vagamente ameaçador aparente. Porém, aquela idosa parecia extremamente cansada e debilitada. As costas eram curvadas em um ângulo desconfortável. Enquanto ela falava, era como se meu cansaço tivesse triplicado. Eduardo segurou meu braço, e a senhora se pronunciou:

– Boa tarde, meus queridos. Darei descanso e água a vocês, mas como vocês podem ver, minha casa é muito simples, e eu mesma acabo de chegar de horas caminhando. Pedirei que aguardem lá fora e que sejam educados. – ela enfatizou num tom mórbido – Chamarei um por vez para que vocês descansem e saiam. Primeiro, a criança.

Ela se referia ao meu irmão Pedro.

Saímos da sala, enquanto meu irmão ficou. Ele pareceu ter perdido qualquer força, ficou pálido e trêmulo. Os lábios rachados, os olhos fundos. Pela cortina, vimos a senhora caminhar lenta e dolorosamente até meu irmão.

– Meu querido, temos uma cadeira. Você vai sentar?

Meu irmão, cansado e sem nem pensar, afirmou com um aceno. Se atirou na cadeira confortável, e no instante seguinte estava corado, descansado e não mais letárgico. A senhora, enfurecida, disse:

– Criança mal educada, criança interesseira. Não me deu a chance de sentar, não respeita os mais velhos? Você veio a minha casa apenas para descansar e ir embora: sequer iria me fazer companhia. Agora, você estará sempre disposto e descansado, mas tocará violão para mim, e me fará companhia até quando eu achar necessário… e que leve a eternidade se preciso for.

Meu irmão sumiu da cadeira. Um novo instrumento começou a soar da sala seguinte a que se encontrava a idosa. Uma melodia de violão.

Arregalei os olhos e Eduardo se voltou para mim:

– Shhh. Cala a boca. Daremos um jeito depois.

Meus pais e meu outro irmão, um a um, sentiram a necessidade desesperadora de descanso, e se atiraram na cadeira um de cada vez, sendo repreendidos pela idosa. Eu já estava em pânico, e era minha vez.

– Minha querida, temos uma cadeira. O que fará?

Senti meu corpo afundar. Parecia que se eu aguardasse mais um segundo que fosse, eu morreria naquele instante. Era um cansaço mortal, indigno. Comecei a perder o foco. “Não sente”. Meu Deus, tudo o que eu queria era sentar. Arrumei forças para responder.

– Não, Dona Yara, senta a senhora que eu estou bem.

Ela sorriu e se sentou. Alguns minutos se passaram, minutos que pareciam a eternidade. Comecei a me senti melhor, mas não descansada.

– Está bem então, minha querida, saia que lá fora meus netos te darão água. Saia e não olhe para trás.

Obedeci e corri para fora. Ao sair, já havia caído a noite. Passei pela porta de alumínio e fui recepcionada pelas crianças. Uma, com um copo d’água na mão. Sentei na calçada e aguardei até que Eduardo saísse.

– Aonde estamos?

– Não faço a menor ideia. A gente descobre. A gente dá um jeito depois.

Acordei.

Pausa no rolê

Helloo ladies!

Pausa por motivos de: uma leve falta de tempo somada a uma não-leve dor de cabeça que me leva a não conseguir escrever/raciocinar direito (e acho que vocês perceberam só por essa frase que estou mal na escrita) (não vou nem parar para reler) hoje não vou soltar nenhuma parte dos textos sobre a Neha.

Uh, me sinto meio doente esses dias? Não sei, como se algo estivesse preso na minha garganta. Faz tempo que estou assim, mas tem piorado. Juro que vou marcar médico pra ver essa joça… soon.

Mesmo assim, conversar com vocês um pouco vai ajudar minha cabeça. Espero que vocês estejam gostando das últimas crônicas: elas tem um motivo! Explicando melhor, há 13 (sim, TREZE, o tempo voa) anos eu e meu querido amigo BFF rei do mundo Eduardo começamos a escrever. No começo era uma ideia bem mais imatura, óbvio, mas a exata mesma ideia foi desenvolvendo na última década, até acharmos que está madura o suficiente para apresentá-la ao mundo. Well, o que eu escrevi são só alguns trechos que eu nem pensava em publicar – era mais uma escrita para mim mesma, pra concretizar os conceitos e nomes que criamos, pra descobrir que jeito fica ou não legal expor a escrita. Fiquei surpresa que tantos de vocês que acompanham aqui tenham se interessado/dado dicas/etc, MUITO OBRIGADA.

Quanto a mim, estou bem. Cansada, feliz com as últimas notícias da CoroCoro (como não poderia deixar de ser sendo eu). Hoje recebi a visita de dois amigos queridos, e isso me fez pensar como a vida foi boa comigo. I mean, passei anos no limbo, sem saber o que seria de mim, do meu futuro, etc. Mesmo assim, eles sempre estiveram aqui, às vezes passando pela mesma situação. E fomos nos apoiando, e lembrei de tudo que já passei e… valeu a pena. Se eu morresse amanhã, certamente teria valido a pena, não é? É. Meu Memento mori se orgulha de mim, às vezes: eu posso lembrar da minha mortalidade, mas lembro antes da minha vitalidade. Esse é o segredo.

Eu aceito o meu Memento mori da mesma forma que finalmente aceitei meu antimônio e as minhas cores.

Enfim, só queria falar a respeito, e como todo o resto que escrevo aqui, eu falo pra mim e quem ouve são vocês. Heh. Fico feliz de ter pessoas que me leiam e que dêem suporte. Então mesmo que alguns de vocês não interajam diretamente comigo e leiam quietinhos, sou bem grata por todos. Bem grata por vocês pararem um pouco suas rotinas loucas de estudo e trabalho e me darem essa atenção. Rly.

“Cê é uma falsa!”

Não, é de coração mesmo. Se eu estou escrevendo aqui, é de coração. Não tenho o hábito de pensar pra escrever o que escrevo, mesmo que se trate de mim… o meu escrever é desenhar palavras, e que significado teria um desenho que não vem de sentimentos?

Pois é.

Vejo vocês em breve!

Jogo 

A redundância do sofrimento é a redenção de se achar na cacofonia cíclica de um “não”.

Já a redundância da redenção é a rebeldia, a sonância e harmonia de quem se cansa um dia.

E o dia é a redundância da noite, o neutro toante que cega a mente de quem já sabia

Que esse dia 

Chega.

Making off

Ladieeees!

As you can see, estamos em reforma – escolhi esse tema provisóriamente até que eu tenha tempo e paciência para fazer um do meu gosto (da mesma forma que anualmente faço com o tumblr). E por falar em tumblr, agradeço imensamente os elogios e as visitas: tentarei postar lá diariamente! Vocês são o melhor parâmetro que tenho para saber se estou escrevendo groselhas menos ou mais ruins. “Ah, você quer é confete, escreve bem!”. Bom, na verdade não. Escrever tem sido um hábito saudável e cada vez mais complexo na minha vida, mas não significa mesmo que eu saiba fazê-lo, ou sequer que eu tenha afinidade com as palavras. Por isso, hoje vou falar um pouco do “de onde você tira as coisas que tira?”

Pra ser perfeitamente honesta, os meus textos não-pessoais (tipo este, onde estou falando de mim, de vocês, da minha cabeça) vem do nada. Estou ouvindo uma música (como no caso do que soltarei mais tarde), me olhando no espelho, assistindo um documentário na DIscovery sobre águas-vivas (reconheceram?). Li um poema, vi um filme… a ideia só vem. Costumo a me espantar – e ficar ligeiramente decepcionada – quando alguém me pergunta sobre quem é, sobre quem é o narrador, se estou triste ou feliz… me parece uma pergunta meio nonsense. Também vivem perguntando “quem é esse(a) que você desenhou?”. Ars gratia artis (pesquisem) é uma das frases que mais gosto, e muitos de vocês sabem! Por que acham que eu não aplicaria meu princípio artístico nas minhas manifestações artísticas? Ué? As coisas não precisam ter um destinatário. Sempre peço que ninguém enfie a cabeça nos buracos de papelão dos meus painéis, e justamente por esse motivo. Isso mata minha expressão, que já é mal construída.

Uma parte divertida do processo de escrever tem sido pesquisar sobre os assuntos. Hoje mesmo passei um bom tempo lendo trechos de obras Karen Horney, uma psicanalista feminista alemã. Ela foi crucial no desenvolvimento do próximo texto, e quero trazer um pouco das pesquisas que faço pra vocês. Então, começarei a colocar fontes nos textos que trouxerem referências (e já até fiz isso, mas de maneira menos diretas, nos textos sobre Pachelbel e etc).

No mais, provavelmente lerei alguma coisa de algum de vocês e tentarei transformar isso em algum texto. Meu objetivo é treinar vários pequenos textos por dia e aprender melhor a lidar com estruturas e palavras.

Então, obrigada por me lerem, e continuem dando pitacos sobre o que vocês acharam. Ok? ♥

Epifania 

Veio exatamente como deveria vir: como um baque, um soco. Veio de onde se menos espera, ou por ser óbvio, ou por não ser sequer imaginável. De repente, e não mais do que de repente, lá estava a resposta… lá estava, com uma sobrancelha arqueada, me censurando por ter demorado tanto tempo para encontrá-la. Me censurando por ter esperado mais de mim.

O problema é: a resposta não tem um nome. Como vou explicar? É apenas uma condição. É comum ver em determinados sites os nomes que dão a sentimentos que (pensava eu) são inomináveis. Pluviófilo, amante da chuva. Nyctophilia, achar conforto na noite, no escuro. Mas e isso? Pesquisei por horas e não encontrei nada. E não  era uma philia. Era uma phobia. De minha busca, encontrei Philophobia. Mas não, não era isso. Está longe disso.

Então tento por aqui em palavras: acostumada em não ter atenção afetiva, vem o desconforto gritante em ter atenção afetiva. A estranheza e o incômodo de quererem saber do meu dia, do que eu gosto, do que faço. Como se estivessem me agredindo, invadindo minha bolha, como se eu tivesse que me distanciar instantaneamente de quem quer saber demais. Pra ser perfeitamente honesta, não sei o que é alguém perguntar de mim: todo esse tempo esse tipo de intimidade foi proibida, como se eu não devesse perguntar ou ser perguntada a respeito. Como se “essa pergunta me irritasse”. Esse tipo de preocupação, interesse ou pergunta sempre foi seguido de repreensão e desconforto, de modo que eu apenas não consiga mais desvincular o interesse e o afeto de algo negativo. Algo quebrou, e aí está a resposta!

Não me ajuda, é verdade. Ainda não sei como consertar, ainda me distancio, ignoro. Mas agora eu sei. Eu apenas sei. E isso é um imenso passo.