E com vocês: as minhas mágoas

Esse pode parecer só mais um daqueles meus incontáveis textos nada-com-nada. Sim, aqueles que vocês bem conhecem: indiretos, abstratos e metafóricos. Porém, esse não é um texto indireto… ele é sobre mim, e sobre como estou me sentindo.

Sinto muito não poder expor aqui as coisas que aconteceram na minha vida. Sinto muito decepcionar vocês, que me acompanham e se preocupam de verdade comigo. Algumas coisas não podem ser ditas, sabem? Mas todo sentimento pode ser descrito, mesmo que não tão fielmente.

Cheguei em casa e me deitei na cama. Minha garganta está cada vez mais fechada e inchada, minha clavícula e base do pescoço cada vez mais doloridos, e isso me preocupa e incomoda. Porém, ainda não consegui verificar o que está acontecendo. Estou preocupada com o que está acontecendo com o meu organismo, mas naquela hora ignorei qualquer desconforto e só estava me perguntando uma coisa: por que?

Tentei reunir tudo o que aconteceu desde Janeiro de 2014 em uma pilha de informações. As separei e delimitei tão precisamente que eu quase as podia sentir fisicamente nas minhas mãos. Dividi minhas pilhas de informação na tentativa de encontrar alguma lógica que eu pudesse abraçar, algum jeito para que tudo aquilo fizesse sentido pra mim.

Então tínhamos a pilha dos fatos incontestáveis, a pilha dos meus sentimentos, a pilha de todas as verdades e a pilha de todas as mentiras já ditas. A pilha dos meus sentimentos insistia em tombar e se espalhar nas outras três. Mas não, eu não ia – eu não podia – mais deixar que meus sentimentos influenciassem minha razão e julgamento. A organizei e deixei de lado, dela eu cuidaria depois.

Então começamos com a pilha das verdades já ditas. Não havia uma só informação naquela pilha… logo, não era uma pilha: era um vazio. Nem uma só palavra de verdade estava lá. Isso não significava que jamais havia existido verdade, significava apenas que – caso tenha existido qualquer verdade – eu não a conhecia e não era um fato incontestável. Uma mágoa me acertou em cheio quando comecei a avaliar que palavras ditas por tantos anos não estavam naquela pilha… estavam, sim, na pilha das mentiras.

E lá estavam as mentiras. Tantas, tantas, tão cruéis, fortes, amargas. Me perguntei como isso era possível. Palavras como “amor”, “fidelidade”, “confiança”, “apoio”, essas palavras significam seu alicerce quando na pilha certa… mas elas nunca estiveram na pilha certa. E, na pilha errada, essas palavras eram como socos no estômago.

Para ter certeza que eu havia posicionado as informações na pilha correta, fui aos “Fatos Incontestáveis”. E lá estava a confirmação que eu procurava. Traição, difamação, ofensas, tortura psicológica, manipulação, chantagem. Tinha um número muito maior do que eu pensava, não é? Todas essa lista provada com fatos.

Então eu apenas não estava triste. Estava irritada, magoada e com o orgulho ferido. Depois de mais de um ano, a verdade veio à tona. Honestamente, não havia mais espaço para tristeza. Toda a dor que passei sem ter as informações que chegaram a mim foi o suficiente para me tornar alguém diferente. Isso? Não, isso não me machucaria. Porém, a raiva me brilhava.

“Cretino, mentiroso, traidorzinho covarde…”

A pontada nas costas me doeu os gânglios linfáticos inchados do meu pescoço reclamaram.

Comecei a me perguntar se de repente eu estaria morrendo de alguma doença esdrúxula. Será? Afastei o pensamento da cabeça, empurrei minha crise hipocondríaca pra fora. “Logo eu descubro, jajá… deve ser deboas.”

Então minha cabeça saiu do “Por quê?” e chegou no “Quando e como?”. Será que eu poderia confiar em alguém algum dia? E ser feliz e tal, essas coisas. Será que vai ficar tudo bem? Quando vai? Como vai? Fiquei irritada de não conseguir responder minhas próprias perguntas. Minha ansiedade me atacou com toda força, e eu realmente não vi como confiar. Não, eu nunca mais fui a mesma.

As lágrimas não caem por mais ninguém, mas os sorrisos e os batimentos acelerados de quem ama também nunca mais apareceram.

Oh well.

Tomei meu remédio e esperei passar. A gente pode torcer pelo melhor sem esperar pelo melhor, não pode?

A gente pode.

E vai.

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1 thought on “E com vocês: as minhas mágoas”

  1. Olá Ada!

    Você precisa acreditar que uma hora as coisas têm de melhorar! Toda essa mágoa, frustrações, etc, fazem parte da vida de todos, e aprender a lidar com isso é que nos torna “adultos”. Não que isso seja bom ou ruim, mas apenas faz parte da vida.

    Eu acho você incrivelmente linda de todas as formas…

    Já leu High Fidelity, do Nick Horny?

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