Sobre os limites do nada e lugar nenhum 

Tinha por hábito encarar a vida como encararia uma atividade escolar da 4ª série: com completo desinteresse. A previsibilidade a matava. Achava que definitivamente poderia fazer algo mais interessante que viver… só não sabia ainda o que e, portanto, preferia não arriscar.

Naquele dia, a professora de Vida Afetiva passou lição de casa. Essa era, de longe, a matéria que mais odiava. Na atual fase, aquela maldita matéria não era exata e muito menos humana. Há anos não era humana. Quando via essa matéria, invariavelmente pensava que não passava de mera encheção de linguiça – e de saco. Uma cobrança descabida, enfadonha e previsível. Naquela atividade não foi diferente: um jogo de lacunas.

Nome:                               n°:     Série:   

Complete as lacunas a seguir:

1) O que falta na sua vida sentimental é ___________;

2) E você não está feliz porque __________;

3) Você pode resolver simplesmente tomando a ação de __________;

4) Mas você não faz isso porque __________;

5) Então podemos concluir que seu medo sobre o assunto é __________;

6) E isso faz com que você se desespere e seja uma __________ com quem não merece;

7) E faz com que você se sinta ___________ com a perspectiva de ser sempre assim. E você __________ todos os dias para que não seja.

D e s c a b i d o. Óbvio. Previsível! Incômodo demais. Então vez com o dever de casa o que faz com todos os problemas: deu pro cachorro comer. Varreu pra debaixo da cama. Ligou o escapismo. E reprovou a matéria… outra vez.

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