Identidade

Quando me olho no espelho, eu não sou eu. Eu não estou lá. Aquilo é somente eu pelos meus olhos, La Trahison des Images.

Ceci n’est pas Ada.

A minha sombra não sou eu.

Mas de tudo que não sou eu, o que menos sou eu é quem você acha que sou. Sua projeção é ainda mais distante do eu que eu sou, uma miragem que você tem de algo que você nem sabe se está lá. E que você não vai descobrir: vai morrer de sede antes.

Você não sabe o que tem nas minhas abas anônimas, embaixo da minha cama, dentro da minha cabeça. Você não sabe o que tem no meu coração, nas minhas costas, na minha história. Você não sabe a ração que dou ao meu cachorro, o shampoo que uso, a cor da minha escova de dente. 

Você não sabe o que me faz rir quando estou sozinha, e não sabe o que me faz chorar.

Você não sabe nada além do que eu desejo mostrar. Qualquer outra coisa você supõe, imagina. Acha que é muito, mas é nada. E quanto mais nada para mim você for, mais nada de mim você tem.

Oras, mas eu não sou eu especial, e isso vale pra todo mundo. 

Eu não sei o que você tem embaixo da cama, ou dentro da cabeça, ou no coração. 

E você sabe que não sei, mas também não quero saber. Se eu quisesse, perguntaria.

Então sempre que você for achar que me conhece, repense. Seja humilde. Você não me conhece. Você não conhece a ninguém.

E você não pode ser ninguém além de você, seja grato por isso. Eu sou. Porque eu, chore o quanto quiser, sou a única pessoa que pode ser eu. Nem meu próprio reflexo é.

“I’m sure I’m not Ada” she said, “for her hair goes in such long ringlets, and mine doesn’t go in ringlets at all;” – Alice in Wonderland, Chapter One, p. 13.

Melting 

Ok, mas o comum sobre mim é que eu me sinta ameaçada. Não é tão incomum que eu sinta um aperto no coração e eu sei, eu sei, que em algum lugar tem alguém me desejando algo ruim.
Parece estupidez, e provavelmente seja, mas é assim que eu me sinto. Deve ser algo relacionado ao TAG or something, mas por mais que pareça loucura esse ~ sexto sentido ~ já foi bem certeiro em adivinhar quando alguém ia querer me enfiar em problemas… geralmente alguém de fato aparecia pra atormentar meu juízo, eu juro.

Mas aí hoje eu senti aquela sensação que não sinto há anos – anos! -, vocês acreditam? Senti meu coração derreter, como se alguém estivesse chegando pra me abraçar, como se alguém quisesse enfrentar esse boooooomm de problemas que eu sou. Aquela segurança boa de estar perto de alguém que acha que eu valho a pena, que valho a briga.

Bom, também pode ser estupidez. Sentir isso assim do nada, por nenhum motivo aparente e de forma completamente abstrata. Mas foi como se, em algum lugar, alguém gostasse muito de mim. Cérebros gostam de ficar resgatando sentimentos aleatórios, então sei lá… enfim, nem é muito isso que importa, nem é se existe alguém. O que importa é: eu já senti isso, não senti? Mas eu ainda consigo sentir. Entende? Eu consigo! Eu posso fazer essa coisa de me sentir protegida, ainda me lembro como é aparentemente. Talvez, se eu conseguir dar unlock nesse sentimento, eu não morra uma pessoinha amarga com 23 gatos. Talvez seja tipo “se eu controlar o ki e eu consigo me sentir bem” kind of thing.

Haha, super saiyajin Deus Ada: consegue o impossível poder de lidar com a própria ansiedade e sente segurança o suficiente pra afirmar que pode um dia não ser tão traumatizada quanto é hoje.

Promissor, hun?

Sem vontade.

Não, eu nem sei se é coisa de fase. Essa crise dos “20/25 anos”, a pessoa que acaba de sair da adolescência e percebe que a maior parte da vida não sai (mas nem um tiquinho mesmo) como planejamos. Não, não sei se é fase. Não sei se é porque passei do momento “o que eu quero” e estou no momento “o que posso ter”, ou se é porque esses momentos são tão assustadoramente distantes.
Não sei se é pelo caminhão de decepções que acumulei com pessoas ou fatos. Não sei se de repente é porque perdi a confiança, a paciência, a vontade, o ânimo. Tenho uma longa lista de “não sei” aqui, tudo girando em torno daquela verdade que já venho percebendo há vários meses, e que só se faz mais incômoda com o passar do tempo: eu não me encanto.

E veja, não é que não há nada que me faça feliz, no geral eu sou uma pessoa feliz. Obrigada por perguntar. Com esforço e jogo de cintura não há nada que me falte. Mas definitivamente eu não me encanto. Não há mais aquela euforia de novidade, ou de amor, ou de vontade de fazer besteira. De encher a cara e me arrepender no dia seguinte, de ter histórias idiotas pra contar. Claro, eventualmente coisas assim acontecem, mas tem se tornado cada vez mais raro e tido cada vez menos graça. Não é nada pessoal. Não é mesmo nada pessoal, mas no meu tempo livre eu gosto de ficar em casa, mesmo. Lendo ou desenhando ou vendo filme. Claro, saio vez ou outra, but then again, cada vez menos… e cada vez menos vontade eu tenho.

Talvez eu não me sinta desafiada. Isso faz sentido? Talvez eu sei lá, talvez eu tenha desacostumado, me acomodado, ficado chata. E sabe o pior? Eu tenho vontade de ter vontade de fazer coisas que não tenho a menor vontade de fazer, e que me fazem falta. Tenho vontade do desafio, do encanto, daquilo que não é alegria, É MAIS, é outra coisa. Eu tenho também várias perguntas, todas girando em torno da mais assustadora:

E se não for uma fase?

Pokémon Red – 20 anos depois!

Então, como vocês já devem estar cansados de saber por motivos de redes sociais, um dos muitos presentes dados aos fãs pelo aniversário de 20 anos da franquia Pokémon foi a migração da primeira geração para o Virtual Console do N3DS.
Well, claro que não fiquei 17 anos (desde meu primeiro contato com a versão Red) sem jogar a geração RBY, mas notei algumas mudanças interessantes nos perfis de jogo da galera que jogou lá atrás, continuou a jogar através dos anos, entrou no competitivo e voltou a jogar agora os primeiros jogos através do Virtual Console.

Gostaria então de abrir esse espaço para comentar a respeito.
Estive conversando com meu amigo Zero, que também é do rolê oldschool e virou um cara fantástico no competitivo, e notamos a engraçada evolução no caminho do treinador antigo. Vamos ao antes e depois.
Antes – Meu inicial é meu Pastor, e nada me faltará.

Cara, chegava a ser cômico. No primeiro contato com a série, tudo que eu fazia era treinar meu starter. Eu tinha lá um ou outro razoavelmente treinados, mas a discrepância era claríssima: meu starter era a estrela da festa. Os outros geralmente eram só coadjuvantes, HM slaves ou pobre coitados, mesmo. Ah, mas o primeiro ginásio era rock e eu comecei com o Charmander? Que eu chegasse lá com um Charmeleon e derrubasse na base do Ember. O resto era resto.

Depois – Amo meu inicial mas… esse slot ficaria mais bonito com outra coisa.

Jogando hoje, percebo a tendência de largar o starter, ou de ele não ser mais o grande protagonista do time. Vemos outros Pokémon eficientes e os damos voz, treinamos todos igualmente e temos um time equilibrado em termos de meta. Não há necessidade de um time competitivo perfeito, você pode ir com quem gosta, mas há a necessidade do equilíbrio. Ah, o meta nos roubou a alma, mesmo.

Antes – COLOCO OS ATAQUE QUE EU QUISER E VAI SER TUDO DANO SIM.
Há alguns anos tenho a impressão de que, se pudessem, meus Pokémon do passado virariam pra mim e diriam “MAS QUE CARALHOS CÉ TÁ FAZENDO??”. Ah, mas era water type? SURF, HYDRO PUMP, BUBBLEBEAM, BUBBLE. Deu dano tá valendo. Ter 4 ataques de dano do mesmo tipo e no mesmo Pokémon era algo que na minha cabeça era aceitável aos 7 anos. Hoje…

Depois – Mas eu quero mesmo tirar esse Tail Whip daqui?

Ah, se eu soubesse o valor de um Thunder Wave em 1999. Mais uma vez, o meta tomou minha alma e me mostrou que muito dano não é nada. Hoje os movesets são montados estratégicamente pra absolutamente nada dar errado. Vai ter buff, vai ter lowing stats, vai ter todo tipo de coisa chata pra atrapalhar a vida do oponente. Mesmo que eles nunca tenham sido um desafio e que eu conseguisse sem problemas quando pequena: agora é tarde pra desrespeitar o jogo.

Antes – ESSE ATAQUE AQUI DEVE SER A FÚRIA DE DEUS

“Woooooah mas se liga nesse dano aqui. Vou arrasar. Serei a grande mestra. Insuperável e sublime. Rainha de Kanto, deusa de Johto.” – e era assim que eu colocava ataques com um percentual ridículo de chances de acertar. Errava todos. Ficava puta. E no próximo ataque, caso alto dano, eu esquecia e colocava do mesmo jeito porque AH, a sede de sangue de uma criança.
Depois – 70% é…. É QUASE 0%!!

No competitivo aprendemos que se um ataque pode errar ele VAI errar. Pra quê Fire Blast se tenho Flamethrower? Tava precisando desse slot pra outra coisa mesmo…

Antes – Vou atacar e acabou.

Ainda na sede de sangue, era muito comum que ao longo de Kanto e Johto eu atacasse sem estar nem aí pras consequências. Bem, parece que o jogo virou.

Depois – QUAL É A ABILITY DESTE MALDITO?

Amigos, jogar a Red está sofrido. Toda vez penso em dar dano em algum Pikachu da vida e me pego pensando “Mas e se ele tiver Static?”, O competitivo nos ensinou a pensar com carinho antes de enfiar a mão na cara de alguém. Isso vale para inúmeras outras ability. Pensar é lei até nas lutas mais simples.

Antes – Meu deus, nem sei o que jogar fora.

Pouco espaço na mochila nos obrigava a ser mãos de vaca. Risível o tanto de coisa boa que eu jogava fora pra slot que futuramente viravam potions. Acabava me desfazendo de TM na velocidade da luz. Já hoje…

Depois – Leve meu braço mas não leve meu Thunderbolt.

Ainda vou usar isso no meu Gengar…

E vocês, lembram de alguma mudança? Let me know!

E obrigada por me lerem!

Post Final – 2015

Bem, está acabando né?

Vim aqui apenas fazer meu conhecido e humilde post de fim de ano. 

Primeiramente, os agradecimentos: agradeço imensamente a todos que me acompanharam ao longo do ano, de qualquer maneira que seja. Obrigada por me lerem, me verem, me ouvirem.

Foi um ano difícil não? Perdi minha avó, altas tretas, mas fazendo um balanço geral foi bem melhor que 2014. Viajei, vi o SOAD de pertinho, vi FF, melhorei meus desenhos, li um monte, joguei horrores, me diverti, vi quem eu gostaria de ver e… valeu muito a pena. 

Sempre me assusto com os finais de ano. Sempre me lembra o “Memento mori” da minha costela heh… espero que 2016 seja melhor que 2015 e pior que 2017. Minha primeira resolução é minha próxima tatuagem, que deverá sair em breve 🙂 estou ansiosa pelos 20 anos de Pokémon, também. Está prometendo!

Gostaria de fazer um post maior com o Ada Awards, mas como estou na praia isso será adiado ):

Espero que vocês tenham um ótimo último dia de 2015, um 2016 maravilhoso com muita saúde e paz e amor e dinheiro, espero que vocês continuem me acompanhando!

See ya in 2016!

Now Press Repeat

Não sei vocês mas, para mim, sempre chega determinado momento do ano em que penso “ok, definitivamente já deu o que tinha que dar”. E, falando de 2015, esse momento chegou. “Last call has come and gone”, e tal. Independente de ter sido um ano positivo ou negativo (no balanço anual que todos nós nos damos o luxo de fazer) existe aquele ponto, geralmente meados de novembro, em que o fechamento é inevitável e você apenas sabe disso. Novembro é o domingo à noite da semana: tudo o que vier a acontecer das 18h às 23h59 definitivamente não deveria ter acontecido.

Acredito que nesse inevitável ponto do ano (onde já morreu quem tinha que morrer, já sobreviveu quem tinha que sobreviver, já aconteceu o que tinha que acontecer) deus pega o caderninho do destino de cada humano e, onde ele deveria escrever detalhadamente o roteiro de seus dias de semana, apenas baterá um carimbo preguiçoso de repartição pública com os dizeres:

“Repita-se a Primeira Segunda-Feira de Novembro até a data de _________”.

Essa lacuna possivelmente será preenchida com a data da última segunda-feira antes do Natal, de modo que todas as segundas que você vier a viver nesse período serão exatamente iguais as anteriores. Isso vale, claro, para todos os dias úteis. Logo, deduzo que deus tenha pelo menos 7 carimbos em sua mesa.

Meus dias já estão no repeat. Estou vivendo, salvo pequenas alterações de humor e de eventos, os mesmo dias – de novo, de novo.

Acredito mesmo que 2015 esteja finalizado por bem. E espero mesmo que a passagem de ano seja tranquila.

Até lá… vivemos novamente.

Retrospectiva anual da Ada – 2015

Ladieeees!

Como vocês sabem, todo ano faço uma retrospectiva e um balanço dos meses. Dado os últimos acontecimentos na minha vida, decidi que esse ano acaba no final de Setembro porque bem, o que mais importa até 2016 chegar, não é mesmo??

SEGUE A RETROSPECTIVA 2015

Janeiro – Blergh

Fevereiro – Mé

Março – Desimportante

Abril – Não ligo

Maio – Tanto faz

Junho – Nem existiu

Julho – Não lembro

Agosto – piores 97 dias da minha vida

Setembro – POKÉMON GO ROCK IN RIO FORNINHOS CAINDO REVIRAVOLTAS INTRIGAS VITÓRIAS

Outubro/ Novembro/ Dezembro – não ligo mais
É isso MUITO OBRIGADA POR FAZEREM PARTE DO MEU ANO AMO VOCÊS!!! VEEEEM 2016!!
(esse post foi uma brincadeira, o RiR nem passou, eu ainda nem sei se vivo pra ver 2016, mas vai rolar retrospectiva no final de 2015 – uma de verdade)
OBRIGADA POR ME LEREM!!! Vou ser empolgada até 2016 sim! QUANTO CAPS QUANTA EXCLAMAÇÃO QUANTA GENTE QUANTA ALEGRIA HAHAHAHA
Beijos ❤